Ritmo Económico
Ritmo Económico 04/2026 | Desenvolvimento económico e projeções para a economia portuguesa Mão-de-obra estrangeira em Portugal Medidas para mitigar os impactos do conflito no Médio Oriente
No final do mês de março foram publicados distintos e relevantes dados estatísticos, de natureza socioeconómica, que apresentamos neste Ritmo Económico.
O PIB per capita em paridade poder de compra revela algo muito importante: apesar da economia portuguesa continuar a crescer acima da média europeia, não foi suficiente para convergir em nível de desenvolvimento. Aliás, em 2025 divergimos, e afastamo-nos de situações de maior proximidade com a média europeia observadas no início do milénio.
Para 2026, o Banco de Portugal reviu em baixa as projeções de crescimento económico em meio ponto percentual. Prevê-se agora apenas 1,8%, em vez dos 2,3% projetados há apenas três meses, refletindo a deterioração do enquadramento externo (face aos significativos riscos descendentes para a atividade económica, nomeadamente, agravamento das tensões geopolíticas e comerciais, com disrupções nas cadeias de abastecimento), e, a nível interno, os efeitos das tempestades. O aumento dos preços é outro fator a ter em conta.
A procura interna será o principal motor do crescimento económico, em particular o investimento, sobretudo o público, por via da execução dos fundos europeus. Na procura externa, projeta-se uma ligeira recuperação das exportações, embora com uma dinâmica inferior à das importações, uma preocupação que se junta à da perda de quota de mercado verificada em 2025, o que já não sucedia há vários anos.
A contínua solidez projetada para o mercado de trabalho é um sinal inequívoco da capacidade de resiliência dos nossos empresários, apesar do enquadramento fortemente adverso. Em face do desafio demográfico e da situação de quase pleno emprego em Portugal, a mão-de-obra estrangeira assume uma importância crescente. Nos últimos anos, o nosso país registou um aumento muito expressivo do número de indivíduos, sobretudo jovens, com nacionalidade estrangeira, com uma evidente aceleração nos fluxos de entrada desde 2018. Os dados mostram que a participação dos trabalhadores imigrantes no mercado de trabalho contribui muito positivamente para o financiamento do sistema previdencial (segurança social) no período observado, tendo em conta que o valor das suas contribuições sociais foi muito superior ao das prestações sociais recebidas. Por forma a contribuir para assegurar uma efetiva integração de mão-de-obra estrangeira, a AEP tem em curso diversas iniciativas, alinhadas com as reais necessidades do mercado de trabalho.
No último ponto é feita uma referência às medidas aprovadas para conter os efeitos do conflito no Médio Oriente, que são claramente insuficientes, sendo necessárias
medidas mais robustas e ajustadas. A política orçamental deve ter um papel relevante para acorrer a situações excecionais. Embora defendendo o equilíbrio orçamental, o excedente registado em 2025 deve ser usado para mitigar os impactos dos choques severos na economia.
O PIB per capita em paridade poder de compra revela algo muito importante: apesar da economia portuguesa continuar a crescer acima da média europeia, não foi suficiente para convergir em nível de desenvolvimento. Aliás, em 2025 divergimos, e afastamo-nos de situações de maior proximidade com a média europeia observadas no início do milénio.
Para 2026, o Banco de Portugal reviu em baixa as projeções de crescimento económico em meio ponto percentual. Prevê-se agora apenas 1,8%, em vez dos 2,3% projetados há apenas três meses, refletindo a deterioração do enquadramento externo (face aos significativos riscos descendentes para a atividade económica, nomeadamente, agravamento das tensões geopolíticas e comerciais, com disrupções nas cadeias de abastecimento), e, a nível interno, os efeitos das tempestades. O aumento dos preços é outro fator a ter em conta.
A procura interna será o principal motor do crescimento económico, em particular o investimento, sobretudo o público, por via da execução dos fundos europeus. Na procura externa, projeta-se uma ligeira recuperação das exportações, embora com uma dinâmica inferior à das importações, uma preocupação que se junta à da perda de quota de mercado verificada em 2025, o que já não sucedia há vários anos.
A contínua solidez projetada para o mercado de trabalho é um sinal inequívoco da capacidade de resiliência dos nossos empresários, apesar do enquadramento fortemente adverso. Em face do desafio demográfico e da situação de quase pleno emprego em Portugal, a mão-de-obra estrangeira assume uma importância crescente. Nos últimos anos, o nosso país registou um aumento muito expressivo do número de indivíduos, sobretudo jovens, com nacionalidade estrangeira, com uma evidente aceleração nos fluxos de entrada desde 2018. Os dados mostram que a participação dos trabalhadores imigrantes no mercado de trabalho contribui muito positivamente para o financiamento do sistema previdencial (segurança social) no período observado, tendo em conta que o valor das suas contribuições sociais foi muito superior ao das prestações sociais recebidas. Por forma a contribuir para assegurar uma efetiva integração de mão-de-obra estrangeira, a AEP tem em curso diversas iniciativas, alinhadas com as reais necessidades do mercado de trabalho.
No último ponto é feita uma referência às medidas aprovadas para conter os efeitos do conflito no Médio Oriente, que são claramente insuficientes, sendo necessárias
medidas mais robustas e ajustadas. A política orçamental deve ter um papel relevante para acorrer a situações excecionais. Embora defendendo o equilíbrio orçamental, o excedente registado em 2025 deve ser usado para mitigar os impactos dos choques severos na economia.
Lurdes Fonseca
AEP - Departamento de Estudos e Estratégia