Ritmo Económico
Ritmo Económico 03/2026 | Economia portuguesa Contexto internacional e impacto para as empresas Propostas PTRR
Os impactos do contexto internacional muito volátil e, cada vez, mais desafiante, estão longe de poderem ser estimados com elevada precisão.
Os dados das Contas Nacionais do INE, apresentados neste documento, mostram que no ano passado a economia portuguesa registou um ritmo de crescimento insuficiente para que o nosso país possa convergir, de forma rápida e sustentada, com os níveis de desenvolvimento médio das economias europeias mais avançadas. Se excluirmos o ano de 2020 (marcado pelos efeitos da pandemia na atividade económica), o crescimento real do PIB português (1,9%) foi o valor mais baixo dos últimos 10 anos.
Se continuarmos a crescer abaixo do limiar que permite acelerar a convergência real com as economias mais desenvolvidas da Europa, estaremos a perpetuar diferenças estruturais de nível de vida e capacidade competitiva.
Em 2025, o investimento continuou a abrandar e na rubrica “máquinas e equipamentos” observou mesmo uma diminuição, numa altura de implementação dos fundos europeus, nomeadamente do PT 2030 e do PRR. O contributo das exportações, líquidas de importações, manteve-se negativo e a intensidade exportadora foi inferior a 44%, excluindo os anos de 2020 e 2021, vincados pelos efeitos da pandemia, estamos perante o valor mais baixo deste indicador desde 2018, numa altura em que nem sequer se tinha iniciado a guerra no Irão.
Nesta dinâmica, também não estão contabilizados os efeitos da tempestade Kristin, que ocorreu quando o ano de 2026 já tinha iniciado.
A escalada do conflito que envolve diretamente os Estados Unidos da América e Israel no Irão (com retaliações que se estendem a vários países do Golfo Pérsico, e outros) introduz um fator de enorme incerteza global com repercussões nos mercados energéticos, nas cadeias logísticas e na estabilidade financeira internacional – cuja magnitude vai depender da sua duração. Certo, é que traz riscos acrescidos, com maior ou menor grau. Os efeitos são já bem visíveis ao nível dos preços energéticos e dos fretes marítimos. Estaremos perante o risco da estagflação?
A robustez estrutural de uma economia aberta e de dimensão limitada, como a portuguesa, exige que o setor exportador seja um motor permanente e não um travão.
Para tal, precisamos de políticas públicas que incentivem o investimento produtivo, em especial aquele que permite inovar, aumentar a capacidade exportadora, sofisticar a oferta nacional e gerar maior valor acrescentado.
Neste contexto, o PTRR assume um papel relevante, como resposta imediata aos problemas resultantes dos efeitos do “comboio de tempestades” que assolou o nosso país e afetou particularmente algumas regiões, mas também respostas que atuem numa perspetiva estratégica de médio e longo prazos, por forma a eliminar os constrangimentos estruturais da economia portuguesa.
Por isso, no âmbito do processo de auscultação pública do PTRR, a AEP está a trabalhar numa resposta. No último ponto deste documento avança-se com algumas propostas para o PTRR, sem prejuízo de posteriormente vir a incorporar um conjunto mais alargado, em função dos resultados do inquérito flash de auscultação que a AEP tem em curso junto dos seus associados.
Lurdes Fonseca
AEP - Departamento de Estudos e Estratégia
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Os dados das Contas Nacionais do INE, apresentados neste documento, mostram que no ano passado a economia portuguesa registou um ritmo de crescimento insuficiente para que o nosso país possa convergir, de forma rápida e sustentada, com os níveis de desenvolvimento médio das economias europeias mais avançadas. Se excluirmos o ano de 2020 (marcado pelos efeitos da pandemia na atividade económica), o crescimento real do PIB português (1,9%) foi o valor mais baixo dos últimos 10 anos.
Se continuarmos a crescer abaixo do limiar que permite acelerar a convergência real com as economias mais desenvolvidas da Europa, estaremos a perpetuar diferenças estruturais de nível de vida e capacidade competitiva.
Em 2025, o investimento continuou a abrandar e na rubrica “máquinas e equipamentos” observou mesmo uma diminuição, numa altura de implementação dos fundos europeus, nomeadamente do PT 2030 e do PRR. O contributo das exportações, líquidas de importações, manteve-se negativo e a intensidade exportadora foi inferior a 44%, excluindo os anos de 2020 e 2021, vincados pelos efeitos da pandemia, estamos perante o valor mais baixo deste indicador desde 2018, numa altura em que nem sequer se tinha iniciado a guerra no Irão.
Nesta dinâmica, também não estão contabilizados os efeitos da tempestade Kristin, que ocorreu quando o ano de 2026 já tinha iniciado.
A escalada do conflito que envolve diretamente os Estados Unidos da América e Israel no Irão (com retaliações que se estendem a vários países do Golfo Pérsico, e outros) introduz um fator de enorme incerteza global com repercussões nos mercados energéticos, nas cadeias logísticas e na estabilidade financeira internacional – cuja magnitude vai depender da sua duração. Certo, é que traz riscos acrescidos, com maior ou menor grau. Os efeitos são já bem visíveis ao nível dos preços energéticos e dos fretes marítimos. Estaremos perante o risco da estagflação?
A robustez estrutural de uma economia aberta e de dimensão limitada, como a portuguesa, exige que o setor exportador seja um motor permanente e não um travão.
Para tal, precisamos de políticas públicas que incentivem o investimento produtivo, em especial aquele que permite inovar, aumentar a capacidade exportadora, sofisticar a oferta nacional e gerar maior valor acrescentado.
Neste contexto, o PTRR assume um papel relevante, como resposta imediata aos problemas resultantes dos efeitos do “comboio de tempestades” que assolou o nosso país e afetou particularmente algumas regiões, mas também respostas que atuem numa perspetiva estratégica de médio e longo prazos, por forma a eliminar os constrangimentos estruturais da economia portuguesa.
Por isso, no âmbito do processo de auscultação pública do PTRR, a AEP está a trabalhar numa resposta. No último ponto deste documento avança-se com algumas propostas para o PTRR, sem prejuízo de posteriormente vir a incorporar um conjunto mais alargado, em função dos resultados do inquérito flash de auscultação que a AEP tem em curso junto dos seus associados.
Lurdes Fonseca
AEP - Departamento de Estudos e Estratégia