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O imperativo da sustentabilidade
Um artigo de Luís Miguel Ribeiro no Dia Nacional da Sustentabilidade


O dia 25 de setembro foi instituído, em 2023, como o Dia Nacional da Sustentabilidade. Este conceito de sustentabilidade nasceu há quase 40 anos, no relatório Brundtland (“Our Common Future”, 1987), apontando uma forma de crescimento económico sustentável que permita “satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, garantindo o equilíbrio entre o crescimento económico, o cuidado com o ambiente e o bem-estar social”.

O desafio da sustentabilidade deve ser visto como uma corrida de fundo, exigindo que todos os agentes da sociedade cumpram a sua parte, contribuindo para uma sociedade melhor. Mas o ponto de situação atual, em que os impactos no planeta resultantes das atividades humanas já são muito significativos, fazem com que já não haja tempo para discutir se devemos avançar, mas antes como devemos fazê-lo, exigindo uma atuação desde já, no curto prazo, em prol da sustentabilidade.

De entre todos os agentes envolvidos, as empresas enfrentam desafios acrescidos, com a necessidade de transformar muitos processos que, durante as últimas décadas, não eram considerados como causadores de outros problemas, como o caso da utilização de recursos naturais (minerais, vegetais, hídricos, …), da utilização de fontes de energia de origem fóssil, e do recurso a cadeias logísticas de abastecimento (quer de matérias-primas quer de produtos intermédios e finais).

Tudo isto veio a reboque do processo de globalização, que permitiu, genericamente, importantes avanços no desenvolvimento da sociedade e no crescimento das economias mundiais, sem que inicialmente tivéssemos plena consciência dos impactos que este processo acabaria por provocar.

Hoje, as empresas necessitam de agir responsavelmente, com o desafio muito ambicioso de reduzirem significativamente o impacto negativo resultante da sua atividade sobre o ambiente e a sociedade em geral, sem comprometerem, simultaneamente, a sua competitividade e a sua capacidade de desenvolvimento, designadamente ao nível da inovação e desenvolvimento de novos produtos (bens ou serviços).

Importa ainda reforçar que as empresas se deparam, hoje, com uma nova frente, no que respeita ao tema da sustentabilidade: é que não basta sê-lo, têm também de parecê-lo! O quadro regulamentar que a União Europeia construiu é, efetivamente, complexo, apesar das mais recentes simplificações introduzidas pelos pacotes Omnibus. Mas temos também de reconhecer que o próprio tema da sustentabilidade é, em si mesmo, complexo, pelo que é da maior relevância que as empresas sejam capazes de demonstrar o seu desempenho na sustentabilidade, conforme os critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).

Para tal é necessário que as empresas sejam capazes de estabelecer a sua estratégia de sustentabilidade, de definir as suas medidas e metas de desenvolvimento, de avaliar a evolução do seu desempenho nesta matéria, e, não menos importante, de serem capazes de demonstrar o seu grau de cumprimento com os desafios ambientais e sociais.

É aqui que a AEP tem vindo a apostar no apoio às empresas, designadamente às PME, através do desenvolvimento de diversos projetos. Atualmente tem em curso o projeto Novo Rumo a Norte - Rumo à Sustentabilidade, que visa, na sua essência, apoiar as empresas na definição e planeamento da sua estratégia, através de uma ferramenta de diagnostico ESG e com apuramento do grau de maturidade observando a norma VSME.

O projeto disponibiliza ainda guias temáticos e casos de boas práticas de micro pequenas e médias empresas da região Norte e promoverá a partir do mês de outubro de ações de capacitação dos colaboradores das empresas, permitindo assim, tornar a sustentabilidade numa vantagem competitiva face ao mercado global.

Estamos certos de que este será o nosso melhor contributo para uma causa que nos toca a todos. Hoje, não temos outra opção senão abraçar este desafio, pois a sustentabilidade deixou de ser uma escolha: é o caminho incontornável para todas as empresas que querem prosperar, competir e ter futuro.
 
Luís Miguel Ribeiro,
Presidente do Conselho de Administração da AEP - Associação Empresarial de Portugal