Envolvente Empresarial – Análise de Conjuntura

Envolvente Empresarial - 3º Trimestre 2021

A Envolvente Empresarial - Análise de Conjuntura relativa ao 3.º trimestre de 2021 dá conta de uma perda bastante maior do que a estimada do PIB em 2020 (-8,4%, em termos reais, em vez de -7,6%), traduzindo o 4º pior resultado na UE (-5,9%), após duas décadas em que Portugal cresceu cerca de metade da média europeia e foi ultrapassado em nível de vida por vários países, sobretudo economias do Centro e Leste europeu que, entretanto, aderiram ao espaço europeu.

Para a AEP - Associação Empresarial de Portugal, infelizmente, os dados disponíveis mostram que as perspetivas para este ano e os próximos são de continuação do nosso empobrecimento relativo face a economias que aderiram bastante mais tarde à União, ainda que possamos melhorar face à média da UE.

Este ano, embora o PIB tenha tido uma forte retoma no 2º trimestre – assente no avanço da vacinação e no desconfinamento, como destacado nesta Envolvente –, registando mesmo a 2ª maior variação em cadeia da UE (4,5%), a verdade é que no trimestre anterior Portugal teve o pior desempenho (-3,3%) e, no conjunto dos dois trimestres (média de 0,8%), evidenciou a 6ª pior evolução na UE, novamente abaixo da média.

De acordo com as recentes previsões do World Economic Outlook do FMI, o PIB de Portugal deverá recuperar significativamente menos que o da UE em 2021 (4,4% vs. 5,1%) e, embora a situação se inverta em 2022 (5,1% vs. 4,4%), nos anos seguintes Portugal crescerá progressivamente menos e apenas marginalmente acima da média europeia. 

Apesar do FMI projetar que o nosso PIB cresça um pouco acima da UE entre 2022 e 2026, o nível de vida relativo face à UE recupera apenas para a situação pré-pandemia nesse último ano (78,2% do PIB per capita em paridade de poderes de compra da UE em 2026, que compara com 78,0% em 2019) e, entretanto, teremos sido ultrapassados nesse indicador por mais três países (Polónia em 2020, Hungria em 2021 e Eslováquia em 2026), passando da 19ª posição em 2019 para a 22ª em 2026 em 27 países.

Em 2026, o PIB só crescerá apenas 1,8% (1,7% na UE), segundo o FMI, o que leva a questionar qual o real impacto do elevado afluxo de fundos comunitários nos próximos anos (PRR e PT 2030) sobre o potencial de crescimento da nossa economia.

A situação relativa de Portugal poderá piorar caso se materializem alguns dos  riscos latentes excluídos das projeções (mencionados nesta Envolvente), quer riscos internos, como de execução e eficácia do PRR e atraso do Portugal 2030, quer riscos externos, onde a inflação crescente – impulsionada pela subida rápida das cotações da energia e matérias-primas, mas também pela perturbação nas cadeias de fornecimento de componentes –, poderá antecipar a retirada dos estímulos de política monetária, expondo países mais endividados, como Portugal.

A Envolvente Empresarial - Análise da Conjuntura é uma publicação trimestral desenvolvida conjuntamente pela AEP, AIP e CIP, com informação detalhada da evolução da atividade económica e de outros indicadores, incluindo ainda uma seleção de aspetos relevantes do enquadramento nacional e internacional. 

Veja os dados destacados pela AEP nesta publicação

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