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O risco do aumento dos preços
A opinião de Luís Miguel Ribeiro no Dinheiro Vivo

A mais recente coluna de opinião do presidente da AEP no Dinheiro Vivo é dedicada ao "risco do aumento dos preços". Luís Miguel Ribeiro sublinha que "embora o discurso dos dois principais bancos centrais seja de que a subida da inflação é temporária, há sinais de que alguns aumentos de preços de inputs poderão assumir um caráter mais estrutural, amplificando e prolongando o choque de oferta, o que poderia antecipar a subida dos juros".

Destacando o aumento de preço e escassez dos semicondutores, que já conduziram à interrupção do funcionamento de algumas exportadoras nacionais, o presidente da AEP lembra as previsões de julho da Comissão Europeia, que colocam Portugal como o terceiro país com pior crescimento acumulado de 2020 a 2022, e considera "fundamental que Portugal consiga intensificar o crescimento do PIB usando bem os fundos comunitários disponíveis, (...) no sentido da reindustrialização, aumento da intensidade exportadora e da incorporação nacional nas prioridades, incentivos e critérios de seleção e de mérito dos projetos".

Leia a coluna na íntegra:


O risco do aumento dos preços

As recentes revisões estratégicas de política monetária da Reserva Federal e do BCE dão maior tolerância a valores de inflação acima da meta de 2% no médio prazo, o que adia a subida das taxas de juro diretoras.

Esta flexibilidade é crucial para que economias mais endividadas, como a portuguesa, consigam consolidar a retoma económica e reduzir os rácios de endividamento no PIB antes que as taxas de juro subam.

Embora o discurso dos dois principais bancos centrais seja de que a subida da inflação é temporária, há sinais de que alguns aumentos de preços de inputs poderão assumir um caráter mais estrutural, amplificando e prolongando o choque de oferta, o que poderia antecipar a subida dos juros.

Destaca-se o aumento de preço e escassez dos semicondutores, incorporados em bens correntes como equipamento informático e automóveis, mas cujo uso se alargará com a transição digital.

Claramente, a oferta de semicondutores não está a responder à procura presente e haverá muita mais no futuro, pelo que os problemas prosseguirão, havendo exportadores nacionais que já interromperam a produção por falta de semicondutores.

O Banco de Portugal alerta para este risco associado às exportações no Boletim Económico de junho, embora não o tenha incorporado nas previsões do PIB.

Já em julho, as previsões da Comissão Europeia, menos otimistas, colocam Portugal como o terceiro país com pior crescimento acumulado de 2020 a 2022 (0,9%), arriscando-se a ficar para trás na retoma económica e na redução do endividamento, ficando muito exposto a uma eventual subida prematura das taxas de juro, que no limite poderia causar uma nova crise financeira como a de 2011-14.

É, por isso, fundamental que Portugal consiga intensificar o crescimento do PIB usando bem os fundos comunitários disponíveis, tanto os do PRR - em que a componente de capitalização das empresas é fulcral - como os do novo Quadro Financeiro Plurianual, onde desejamos ver expressas propostas da AEP no sentido da reindustrialização (Programa "Portugal Industrial i 5.0"), aumento da intensidade exportadora e da incorporação nacional nas prioridades, incentivos e critérios de seleção e de mérito dos projetos.
 
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal
In Dinheiro Vivo 24.07.2021

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