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O ranking que nenhum país quer
A opinião do presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, no Dinheiro Vivo

Em artigo de opinião no jornal Dinheiro Vivo, o presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, aborda as cruéis estatísticas sobre o estado da pandemia em Portugal e o que fazer para as contrariar. "Não podemos nem devemos aceitar o nosso posicionamento num ranking em que ninguém quer estar nos lugares cimeiros", defende:


O ranking que nenhum país quer

Ao longo da semana fomos confrontados com estatísticas muito cruéis sobre o estado da pandemia, colocando Portugal como o pior, ou entre os piores, em todo o mundo na taxa de incidência de infeções e no número de mortes por SARS-CoV-2, considerando o número de infetados e o de óbitos por milhão de habitantes, respetivamente.

Não podemos nem devemos aceitar o nosso posicionamento num ranking em que ninguém quer estar nos lugares cimeiros. O que devemos fazer?

Às medidas anunciadas no final da semana passada, o Conselho de Ministros extraordinário desta segunda-feira adotou medidas adicionais mais restritivas, para inverter o crescimento acelerado da pandemia. Serão suficientes? Infelizmente, creio que não.

Não produzem um efeito imediato no alívio da pressão sobre o sistema de saúde e não atuam de forma incisiva na faixa etária que regista agora maior incidência - os jovens entre os 13 e os 24 anos.

Sempre defendi o urgente encerramento das escolas para alunos acima dos doze anos. Face à enorme gravidade da situação, é incompreensível a manutenção do ensino presencial nesta faixa etária, em que os alunos possuem mais autonomia e o ensino à distância, com o bom uso das tecnologias digitais, asseguram o processo de aprendizagem sem enorme perda de qualidade. As cadeias de contágio não terão origem nos estabelecimentos de ensino, que cumprem as regras sanitárias, mas nas inevitáveis deslocações e nos convívios fora do espaço escolar, quantas vezes sem máscara.

O funcionamento das escolas era a mais relevante exceção neste novo confinamento geral e constituiu uma decisão política, como o Primeiro-Ministro reconheceu.
À hora em que escrevo este artigo houve um volte-face, tendo sido decretado o encerramento das escolas, com extensão a todos os níveis de ensino. Temos de ter soluções eficazes e esta é sem dúvida uma boa solução, de caráter preventivo.

Consciente do impacto gravoso desta terrível pandemia sobre a atividade económica, o Governo aprovou um conjunto de medidas que, não sendo completamente novas, vão no sentido do seu reforço, extensão e aceleração na sua execução, o que é positivo. Ainda assim, continua a haver várias limitações e exigências nas medidas e temo que não sejam suficientes.

Esta é uma batalha que deve unir todos os portugueses. Devemos estar todos do mesmo lado, porque afinal a luz ao fundo do túnel não está assim tão perto!

 
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal
In Dinheiro Vivo 23.01.2021

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