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Enfrentar os riscos do pilar da retoma
Endividamento na indústria é necessário, mas constitui um problema latente

Os dados mais recentes do mercado de trabalho, baseados em novas séries históricas, revelaram-se bastante positivos, apontando para o retorno no 2º trimestre a uma situação pré-pandemia nos principais indicadores, mas há vários riscos latentes.

A taxa de desemprego continuou a descer no 2º trimestre, para 6,7%, já perto do nível pré-pandemia (6,4% no 2º trimestre de 2019).

No emprego, regista-se um crescimento de 0,8% face ao 2º trimestre de 2019 (e de 4,5% face ao trimestre homólogo de 2020, subida empolada por efeito de base devido ao confinamento geral nesse período). O detalhe da informação (ver gráfico abaixo) permite concluir que, entre as atividades mais ligadas ao setor privado, foi a indústria transformadora que suportou esse aumento do emprego, com uma subida de 1,2%, beneficiando em grande medida da retoma das exportações de bens, também já acima do nível pré-pandemia.

De facto, embora os serviços, no seu conjunto, registem um acréscimo de 1,4% no emprego, se excluirmos a Administração pública, defesa e Segurança Social, a Educação e a Saúde, com peso integral ou predominante do Estado, há um recuo de -1,8% face ao nível pré-pandemia nas atividades de serviços mais ligadas ao setor privado, com realce para a queda de -22,8% no Alojamento e restauração, muito afetado pela pandemia.

Por outro lado, a predominância cada vez maior da variante Delta da Covid-19 a nível mundial, com muito maior taxa de contágio, está a contrariar, em parte, o efeito positivo da vacinação e a impedir uma reabertura mais forte das atividades, condicionado a retoma da economia global, como mostram já os indicadores avançados da OCDE, com sinais claros de abrandamento nas maiores economias, incluindo na área euro.

Há, por isso, um risco claro sobre a procura global e, consequentemente, sobre as exportações portuguesas de bens, que estão a impulsionar a indústria, o emprego e o PIB, mitigando as dificuldades prolongadas nos serviços de contacto social, como Alojamento e restauração.

Acresce que a indústria, o principal pilar da retoma, é a atividade onde mais tem aumentado o endividamento (2% do PIB entre dezembro de 2019 e março de 2021 - ver gráfico), que se tornou necessário nesta fase de enorme fragilidade, mas que constitui um problema latente que poderá travar a retoma do emprego (até porque o aumento do endividamento tem incidido sobretudo nas empresas de menor dimensão, com maior peso no emprego) e do PIB se os apoios das políticas públicas forem retirados prematuramente e não for acelerada a capitalização prevista no PRR.


Taxa de variação do emprego entre o 2T 21 e o 2T 19 (%)
Fonte: INE e cálculos AEP


Variação do endividamento das Sociedades Não Financeiras (SNF) privadas entre dez-19 a mar-21  em % do PIB
Fonte: Banco de Portugal e cálculos AEP


 

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