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É crucial um parceiro financeiro à altura
Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP no Dinheiro Vivo

Agora, nestas fases particularmente difíceis, de estabilização e de relançamento, é crucial que as empresas e o país possam contar com um parceiro financeiro à altura, que dê resposta às suas reais necessidades, escreve Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, na sua coluna de opinião quinzenal no Dinheiro Vivo:


Banco de Fomento: será desta?

Neste mês, a Comissão Europeia aprovou a criação do Banco Português de Fomento (BPF), que resulta da fusão das existentes Instituição Financeira de Desenvolvimento, PME Investimento e SPGM, tendo sido já aprovado em Conselho de Ministros o diploma que cria a nova instituição. 

A expectativa é naturalmente elevada – nem poderia ser de outra maneira. Há longa data que ambicionamos poder contar com um banco promocional, com a missão de fomentar o crescimento e o desenvolvimento da economia portuguesa, à semelhança do que se passa noutros países europeus. 

Espera-se que intervenha num conjunto alargado de operações, onde se inclui o crédito direto às empresas, para além da gestão do sistema de garantias de Estado, da capitalização e do apoio à internacionalização. 

São matérias da maior relevância – sempre foram – mas agora, nestas fases particularmente difíceis, de estabilização e de relançamento, é crucial que as empresas e o país possam contar com um parceiro financeiro à altura, que dê resposta às suas reais necessidades. 

Sabemos bem das enormes dificuldades das empresas em aceder ao financiamento junto da banca comercial, em particular das PME, mesmo com a partilha de risco assegurada pelo envolvimento do sistema público de garantias. 

Os critérios de concessão de crédito nem sempre convergem para a decisão de assegurar as operações de financiamento empresarial. 

Vale a pena olhar para os mais recentes resultados do
“Inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito”, divulgados pelo Banco de Portugal: “No segundo trimestre, os bancos portugueses indicaram que os critérios de concessão de crédito a empresas se tornaram mais restritivos face ao trimestre anterior. No mesmo período, a procura de crédito aumentou fortemente por parte das empresas. Para o terceiro trimestre, os bancos antecipam critérios mais restritivos no crédito a empresas, sobretudo PME. Do lado da procura, é esperado um aumento no segmento das empresas”. (…) “Houve um aumento da restritividade nas garantias exigidas a empresas e no spread aplicado a empréstimos a PME de maior risco. A proporção de pedidos de empréstimo rejeitados aumentou”

Ou seja, há procura por parte das empresas mas não há a correspondente oferta, em condições adequadas, por parte da banca. 

Contra factos, contamos para breve com um bom argumento: um verdadeiro banco de fomento.

 
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal
In Dinheiro Vivo 22.08.2020


 

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