Mais relevante do que saber qual será a evolução do PIB no próximo ano, será analisar a forma como se irá processar essa evolução. Centremo-nos apenas nas últimas previsões da OCDE e da Comissão Europeia, que apontam para quedas do PIB de 0,2% e 1%, respectivamente.
A disparidade entre estes valores é explicada, fundamentalmente, pela diferença relativa ao comportamento do consumo privado: a OCDE prevê um decréscimo de 0,7%, a Comissão Europeia antevê uma queda de 2,8%, magnitude apenas comparável com a dos valores registados em 1978 e 1984, sob o efeito dos planos de estabilização do FMI. Esta diferença na evolução do consumo repercute-se fortemente nas importações (a Comissão prevê uma queda de 3,2%, a OCDE aponta para um crescimento nulo).
Há, contudo, coincidência entre as duas instituições em diversos aspectos: em qualquer dos cenários, o consumo perderá peso no produto, pela primeira vez desde 2001. A economia passará por uma forte redução da procura interna, parcialmente compensada pelo bom comportamento das exportações, que alcançarão ganhos significativos das suas quotas de mercado. A procura externa líquida terá, por isso, um forte contributo positivo para a evolução do produto.
Tal significa, na óptica da oferta, que terá início um processo de ajustamento em que os sectores produtores de bens e serviços transaccionáveis recuperarão o peso na economia que têm vindo a perder nos últimos 15 anos.
OCDE e Comissão Europeia apenas divergem no que diz respeito à profundidade deste processo e aos seus custos, em termos de perda de bem-estar económico dos portugueses. E se a OCDE parece mais optimista quanto a este último efeito, cabe perguntar se os parcos resultados que apresenta para o reequilibro da balança de pagamentos (1,5 pontos percentuais em 2011 e 0,8 em 2012, contra 2,7 e 1,3, respectivamente, nos cálculos da Comissão Europeia) serão suficientes para recolocar a economia portuguesa na rota do crescimento sustentado.
Gabinete de Estudos da AEP

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